Estudo · 12 grandes · Brasileirão 2016–2025

Quem tomou os minutos dos jovens brasileiros

Em 21 de setembro de 2026, CBF e clubes aprovaram reduzir o limite de estrangeiros por partida: de 9 hoje para 8 em 2027, chegando a 5 em 2030. A justificativa é abrir espaço para jovens formados no Brasil. Este estudo mede o que aconteceu com esse espaço na década anterior.

A pergunta: os minutos que os jovens brasileiros perderam foram para os estrangeiros jovens, os estrangeiros velhos ou os brasileiros velhos?

Para os estrangeiros prontos — e a conta foi paga pela faixa de 21 a 23 anos.

Os estrangeiros saíram de 11,9% para 28,2% dos minutos entre os dois regimes. Todas as quatro faixas brasileiras perderam espaço, mas de forma muito desigual: a de 21 a 23 anos caiu 39%, quase o triplo da queda dos brasileiros de 24 a 29. Não é uma disputa entre jovens e velhos: é entre brasileiros e estrangeiros em idade de titular.

Contexto

A regra e a virada de 2023

Limite de estrangeiros que cada clube pode relacionar por partida em competições nacionais — Brasileirão, Copa do Brasil e Supercopa. Não vale para estaduais nem para Libertadores e Sul-Americana. A restrição é sobre relacionados por jogo, não sobre o elenco: não há teto de estrangeiros inscritos.

O limite ficou em 5 de 2014 a 2022. 2023 é a virada de chave: subiu para 7 e, no ano seguinte, para 9. É a fronteira usada em todos os gráficos deste relatório.

Gráfico 1 · o quadro

Cinco grupos disputando os mesmos minutos

Cada temporada tem 100% dos minutos do Brasileirão repartidos entre as quatro faixas etárias brasileiras e o conjunto dos estrangeiros.

A faixa laranja dos estrangeiros come o gráfico de baixo para cima a partir de 2023. As duas faixas mais claras no topo — os brasileiros de até 23 anos — são as que mais encolhem.

Gráfico 2 · o cruzamento

Estrangeiros e a faixa de 21 a 23

As duas séries que contam a história, mais a faixa de até 20 anos como referência. Em 2024 as curvas se cruzam: pela primeira vez os estrangeiros valem mais minutos que todos os brasileiros de até 23 somados.

Sete temporadas de estabilidade sob o limite 5, e a separação abrindo a partir de 2023.

Gráfico 3 · os regimes

Antes e depois da abertura

Média ponderada pelos minutos de cada período. A temporada de 2020 sai da média do limite 5 e aparece à parte: foi um ponto fora da curva da pandemia — calendário comprimido, surtos de covid e cinco substituições por jogo. Em 2022, com a regra ainda em 5, o índice já havia voltado ao normal.

Todas as faixas brasileiras perdem, mas a de 21-23 perde o dobro da de até 20 em pontos percentuais.

Quem mais perdeu não foi o garoto de base, foi o jovem já formado. Faz sentido com o perfil de quem chegou: o estrangeiro importado tem idade de titular e ocupa exatamente a vaga que um brasileiro de 21 a 23 disputaria depois de subir da base. A estreia do moleque de 17 ou 18 continua acontecendo — é barata, dá vitrine e não custa vaga de titular. O que sumiu foi o degrau seguinte, o de consolidação. O jovem brasileiro ainda entra; ele é que não vira titular.

Gráfico 4 · clube a clube

Mais estrangeiros significa menos 21-23?

Comparação entre o regime do limite 5 (sem 2020) e o do limite 9, usando apenas temporadas de Série A de cada clube — time rebaixado usa mais jovem e menos estrangeiro, o que distorceria a conta.

Cada ponto é um clube. Correlação de : a relação existe, mas não é mecânica — Palmeiras e Cruzeiro aumentaram estrangeiros ou os mantiveram sem sacrificar a faixa de 21 a 23.

Interpretação

Cinco clubes que explicam o fenômeno

Percentuais de minutos no Brasileirão, comparando o regime do limite 5 (Série A, sem 2020) com o do limite 9.

Por que aconteceu

Possíveis motivações

O limite era a restrição ativa. A participação estrangeira ficou entre 10% e 12% dos minutos em todas as sete temporadas do limite 5 — estabilidade notável. Assim que o teto subiu, triplicou. Uma série plana por sete anos que dispara logo após a mudança de regra indica que a regra era o que a mantinha plana.

Dinheiro novo comprou jogador pronto. SAFs e contratos de transmissão elevaram a capacidade de gasto. Entre formar e comprar, os clubes compraram — e compraram na faixa de menor risco. A idade média ponderada dos estrangeiros em campo é 27,8 anos, praticamente igual à dos brasileiros (27,9): estrangeiro aqui não é velho, é importado pronto.

A janela sul-americana é barata. Argentina, Paraguai, Colômbia, Equador e Uruguai concentram os minutos estrangeiros. Um titular argentino de 26 anos custa menos que a joia brasileira da mesma posição, vendida à Europa antes de amadurecer.

A pressão por resultado encurtou o horizonte. Escalar um garoto rende em duas ou três temporadas; a demissão do treinador chega em seis jogos. Por isso os clubes com base consolidada sustentam o sub-23 mesmo ampliando o elenco estrangeiro.

O jovem brasileiro sai mais cedo. Parte da queda não é substituição dentro do campeonato, e sim saída dele — os melhores são vendidos antes de acumular minutos aqui. Este estudo não separa os dois efeitos.

Metodologia

Limitações

Fontes